GIRLSPT.COM - Cursores Animados
A Magia do Espelho

A Magia do Espelho

Espaço para devaneios, reflexões, desabafos, dicas culturais e otras cositas más

...

Esse post não tem um assunto específico. Apenas senti vontade de escrever, não é exatamente aquela vontade de quem quer escrever com ânsia de dizer alguma coisa, com necessidade de desabafar e desejo de trazer aos leitores algum tipo de reflexão. Tive vontade apenas porque meu blog anda muito abandonado, porque não tenho tido tempo de escrever aqui para contar que o açude Orós finalmente sangrou e que está lindo, apesar de eu ainda não ter podido ir vê-lo, nem para contar que minha primeira sobrinha nascerá daqui a dois dias e eu não poderei estar lá para vê-la, muito menos para contar o motivo da minha falta de tempo.

Todas essas coisas são importantes para mim, ainda que de formas bem diferentes, e eu ainda pretendo escrever com calma sobre elas. Hoje, porém, quero apenas deixar aqui registrado que este blog ainda vive, que eu penso nele, ainda que não esteja escrevendo. Quero me aproximar um pouco mais dele e não deixá-lo “abandonado” como tenho feito com alguns amigos.

Quero começar por ele a me reaproximar de tudo que gosto: dos amigos de infância, dos amigos mais recentes, da família e de tantas outras coisas. Quero exercitar, começando por aqui, o aprender a ter tempo para as coisas que me fazem bem e a fazer hoje aquilo que eu acho que deve ser feito amanhã. Quero tentar diminuir os riscos de o amanhã não chegar nunca. Não quero mais adiar alegrias, deixar para depois os bons encontros, pois o tempo realmente não pára e aquilo que parecia tão perto começa a ser separado por dias, semanas, meses, anos... tanto tempo que até as lembranças começam a ser esquecidas.

Sei que lidar com o tempo não é algo fácil, mas estou disposta a tentar aprender a utilizá-lo da melhor forma possível e a fugir das armadilhas que ele prepara. A primeira lição eu já fiz.

Orós


Li no jornal que o açude da minha cidade está prestes a transbordar. Essa notícia deixa a mim e todos os meus conterrãneos extremamente feliz, pois ver o Açude Orós sangrando é um espetáculo de rara beleza e que não acontece todos os dias. Expressei minha alegria para uma amiga e ela se mostrou espantada com isso.


-O que tem de demais?


A indagação dela me pareceu bastante estranha, quase como perguntar o que tem de demais em uma tsunami acontecer (estou exagerando um pouco, é verdade). Ora, mas como esperar que alguém que não more, tenha morado ou mesmo conheça Orós entenda e sinta o que é ver o açude transbordar? Depois de digerir a indagação, de tentar explicar o que tem demais em um açude transbordar, percebi que somente que já viu tal espetáculo da natureza ou quem tem alguma ligação com Orós é capaz de entender o que é ver o Açude Orós sangrar.


Somente quem viveu a infância inteira ouvindo histórias fantásticas dos períodos de cheia do açude sabe o que é isso. Histórias que, para mim, até 2004 eram quase folclore. Somente quem viu o açude sangrar e julgava que isso jamais voltaria a acontecer sabe o que significa vêlo novamente cheio. Somente quem recordava com um brilho saudoso nos olhos e um tom de voz melancólico as cheias do açude sabe o que é vê-lo novamente transbordar.


Em 2004, após longos anos, o Açude Orós volta a transbordar. Uma enorme alegria para os oroenses, que se apóiam na importância do açude, seja para sobreviverem através da agricultura, seja para esquecerem que Orós é uma cidade tão pequena que talvez fosse completamente esquecida sem a existência do reservatório.


Este ano vivemos novamente a esperança de vê-lo sangrar. Faltam apenas dois metros para que isso aconteça. Mas somente quem procura se informar todos os dias de quanto falta para ele sangrar ou visita a parede do açude para verificar se falta muito consegue compreender a graça do feito.

Banheiros são essenciais

Uma das coisas que mais me incomodavam quando estudava na UFC era usar o banheiro, pois além dos medos comuns que temos ao usar banheiros públicos, o da UFC não possuía uma estrutura das melhores. Não possuía.

Fiquei surpresa ao entrar ontem no novo banheiro da UFC, que passa a quilômetros de distância do antigo. Após uma reforma de vergonha, os atuais alunos e também os visitantes da CH2 agora podem usar o banheiro com um pouco mais de conforto. O banheiro agora possui box especial para deficientes físicos, pias novas, papel higiênico e até sabonete.

Talvez pareça para alguns que estou dando a este fato atenção maior que a merecida, mas, para mim, ele merece sim um texto. Afinal, ter um banheiro novinho em folha na UFC é realmente algo incrível, ainda mais se ele tiver papel higiênico e sabonete, já que quando eu estudava lá (o que não faz muito tempo) se tivéssemos torneira na pia já devíamos nos dar por felizes.

Sei que tem gente que acha bobagem essa história de banheiros e que algumas crenças (se é que posso chamar assim) consideram o banheiro um lugar negativo, mas precisamos admitir que o banheiro é extremamente importante para nossas vidas.

Além de ser um local perfeito para nossas necessidades fisiológicas e higiene pessoal, ele também alivia nossas dores (inclusive de barriga. Ui!). Não sei como funciona isso para os homens, mas o banheiro é um dos grandes amigos da mulher. Quando bem “usado”, o banheiro é melhor que muitos divãs.

O banheiro tem o dom de aproximar as mulheres. Nele fofocamos com as amigas e fazemos novas amizades. Expomos nossos sentimentos, desabafamos e choramos (pode ser olhando no espelho qual o melhor ângulo do seu rosto ou escorregando pela parede, bem cena de novela). Rimos, ensaiamos uma conversa (com o namorado, pretendente, paquera, caso, rolo etc.) e também damos uma ajuda à natureza retocando a maquiagem e arrumando a roupa e o cabelo.

No banheiro descobrimos coisas que jamais descobriríamos em outros locais, bolamos planos mirabolantes (para conquistar um bofe, se vingar de amiga traíra, convencer alguém a aceitar suas idéias etc.) e temos as melhores idéias que já tivemos na vida, não importa se estamos sentadas em um momento “privado”, lavando os cabelos ou passando batom.

Digam o que quiserem, mas o banheiro, os sujos e os limpos, os bonitos e os feios, são essenciais para a vida social das pessoas, pois são neles que surgem as melhores idéias, as grandes reflexões e as boas amizades. Quem nunca teve pelo menos uma dessas três coisas em um banheiro?

Mude


Dizem que fuçar as coisas dos outros é algo muito feio, mas isso não é uma verdade completa e muito menos uma mentira completa. A curiosidade matou o gato? Talvez sim, talvez não. O que sei é que quando olhamos algo que não devemos ou que não fomos convidados para olhar, podemos acabar descobrindo coisas que não gostaríamos de saber nunca, mas também podemos descobrir algo bom que se encaixa perfeitamente com o que estamos procurando, mesmo quando não sabemos o que estamos procurando.


Fuçando por aí, encontrei uma mensagem que despertou minha atenção. Gostei dela pela lição que traz, por enxergar nela ânimo para mim e para os amigos. Amigos que muitas vezes enfrentam situações pelas quais já passei. Vejo-me neles, como se fossem espelhos, quero ajudá-los de alguma forma, mas sei que não posso fazer muito, pois o caminho só existe para nós quando passamos por ele.


Eis a mensagem:


"Mude. Mas comece devagar,porque a direção é mais importante que a velocidade.(...)Mude por uns tempos o estilo das roupas. (...)Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos. (...)Viva outros romances! Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. (...)Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor,o novo jeito,o novo prazer,o novo amor,a nova vida. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. (...) Ame muito, cada vez mais, e modos diferentes. (...)Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. (...)Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. (...)O mais importante é a mudança, o movimento,o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!" Edson Marques

Mudar é preciso! Então, sejamos metamorfoses ambulantes, sejamos lagartas e borboletas, sejamos fênix...

"Após amarguras sentidas, transforma-te. Sê a grega e mitológoca ave, que além de seu eterno retorno das cinzas é capaz de suportar pesadas cargas. Ressurge exuberante e mais sábia, mais serena".




Não se mate

Carlos, sossegue,
o amor é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo e segunda-feira
ninguém sabe o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para as bodas que ninguém sabe quando virão, se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você, e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas, vitrolas,
santos que se persignam, anúncios do melhor sabão, barulho que ninguém sabe
de quê, pra quê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.Você é a palmeira, você é o grito que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam. O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos, mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá.

Carlos Drummond de Andrade

voar, voar...


O medo maior passou quase tão rápido e intenso quanto os quatro anos que deixei para trás. Sim, deixei para trás quatro anos, mas fui juntando aqui e ali pedacinhos de gente que transformaram a minha vida, verdadeiras amizades, experiências mais do que ricas, recordações que doem no coração ao mesmo tempo em que fazem a boca sorrir.

Olho para trás e vejo como me transformei e como consegui amizades preciosas. Não sou mais uma lagarta, mas uma borboletinha que voa sobre o último degrau de um dos lances das escadas da vida e observa o caminho percorrido.

Sou agora uma borboleta feliz, colorida, livre, mas que também se preocupa e procura se preparar para os novos vôos, pois sabe que na vida não se pode parar de voar.

A dor

Entrou em casa correndo. O rosto vermelho e a respiração ofegante. Abriu a porta do quarto e atirou-se na cama no mesmo instante em que começou a soluçar. Pensou em como aproveitou o dia e em como poderia tê-lo aproveitado. Pensou nos amigos, nas experiências que teve, nos sonhos que conseguiu realizar e naqueles que desejava realizar. Sentiu toda a confusão de sentimentos dentro de si sem identificar bem cada um, sem saber se o que sentia era bom ou ruim, se a levaria para cima ou para baixo. Pensou e sentiu que era apenas uma criança sendo obrigada a crescer. Pensou e sentiu que crescer dói, mas é preciso. Pensou e sentiu que para crescer é preciso chorar, assim como para nascer.

Vale a pena ler de novo

  • A lição final
  • A sangue frio
  • Crônicas de Nárnia
  • George e o segredo do Universo
  • O caçador de pipas
  • O Pequeno Príncipe

Ache aqui:

Seguidores