"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não“. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
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Esse post não tem um assunto específico. Apenas senti vontade de escrever, não é exatamente aquela vontade de quem quer escrever com ânsia de dizer alguma coisa, com necessidade de desabafar e desejo de trazer aos leitores algum tipo de reflexão. Tive vontade apenas porque meu blog anda muito abandonado, porque não tenho tido tempo de escrever aqui para contar que o açude Orós finalmente sangrou e que está lindo, apesar de eu ainda não ter podido ir vê-lo, nem para contar que minha primeira sobrinha nascerá daqui a dois dias e eu não poderei estar lá para vê-la, muito menos para contar o motivo da minha falta de tempo.
Todas essas coisas são importantes para mim, ainda que de formas bem diferentes, e eu ainda pretendo escrever com calma sobre elas. Hoje, porém, quero apenas deixar aqui registrado que este blog ainda vive, que eu penso nele, ainda que não esteja escrevendo. Quero me aproximar um pouco mais dele e não deixá-lo “abandonado” como tenho feito com alguns amigos.
Quero começar por ele a me reaproximar de tudo que gosto: dos amigos de infância, dos amigos mais recentes, da família e de tantas outras coisas. Quero exercitar, começando por aqui, o aprender a ter tempo para as coisas que me fazem bem e a fazer hoje aquilo que eu acho que deve ser feito amanhã. Quero tentar diminuir os riscos de o amanhã não chegar nunca. Não quero mais adiar alegrias, deixar para depois os bons encontros, pois o tempo realmente não pára e aquilo que parecia tão perto começa a ser separado por dias, semanas, meses, anos... tanto tempo que até as lembranças começam a ser esquecidas.
Sei que lidar com o tempo não é algo fácil, mas estou disposta a tentar aprender a utilizá-lo da melhor forma possível e a fugir das armadilhas que ele prepara. A primeira lição eu já fiz.
Orós
Banheiros são essenciais
Uma das coisas que mais me incomodavam quando estudava na UFC era usar o banheiro, pois além dos medos comuns que temos ao usar banheiros públicos, o da UFC não possuía uma estrutura das melhores. Não possuía.
Fiquei surpresa ao entrar ontem no novo banheiro da UFC, que passa a quilômetros de distância do antigo. Após uma reforma de vergonha, os atuais alunos e também os visitantes da CH2 agora podem usar o banheiro com um pouco mais de conforto. O banheiro agora possui box especial para deficientes físicos, pias novas, papel higiênico e até sabonete.
Talvez pareça para alguns que estou dando a este fato atenção maior que a merecida, mas, para mim, ele merece sim um texto. Afinal, ter um banheiro novinho em folha na UFC é realmente algo incrível, ainda mais se ele tiver papel higiênico e sabonete, já que quando eu estudava lá (o que não faz muito tempo) se tivéssemos torneira na pia já devíamos nos dar por felizes.
Sei que tem gente que acha bobagem essa história de banheiros e que algumas crenças (se é que posso chamar assim) consideram o banheiro um lugar negativo, mas precisamos admitir que o banheiro é extremamente importante para nossas vidas.
Além de ser um local perfeito para nossas necessidades fisiológicas e higiene pessoal, ele também alivia nossas dores (inclusive de barriga. Ui!). Não sei como funciona isso para os homens, mas o banheiro é um dos grandes amigos da mulher. Quando bem “usado”, o banheiro é melhor que muitos divãs.
O banheiro tem o dom de aproximar as mulheres. Nele fofocamos com as amigas e fazemos novas amizades. Expomos nossos sentimentos, desabafamos e choramos (pode ser olhando no espelho qual o melhor ângulo do seu rosto ou escorregando pela parede, bem cena de novela). Rimos, ensaiamos uma conversa (com o namorado, pretendente, paquera, caso, rolo etc.) e também damos uma ajuda à natureza retocando a maquiagem e arrumando a roupa e o cabelo.
No banheiro descobrimos coisas que jamais descobriríamos em outros locais, bolamos planos mirabolantes (para conquistar um bofe, se vingar de amiga traíra, convencer alguém a aceitar suas idéias etc.) e temos as melhores idéias que já tivemos na vida, não importa se estamos sentadas em um momento “privado”, lavando os cabelos ou passando batom.
Digam o que quiserem, mas o banheiro, os sujos e os limpos, os bonitos e os feios, são essenciais para a vida social das pessoas, pois são neles que surgem as melhores idéias, as grandes reflexões e as boas amizades. Quem nunca teve pelo menos uma dessas três coisas em um banheiro?
Mude
"Após amarguras sentidas, transforma-te. Sê a grega e mitológoca ave, que além de seu eterno retorno das cinzas é capaz de suportar pesadas cargas. Ressurge exuberante e mais sábia, mais serena".
Não se mate
Carlos, sossegue,
o amor é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo e segunda-feira
ninguém sabe o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para as bodas que ninguém sabe quando virão, se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você, e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas, vitrolas,
santos que se persignam, anúncios do melhor sabão, barulho que ninguém sabe
de quê, pra quê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.Você é a palmeira, você é o grito que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam. O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos, mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá.
Carlos Drummond de Andrade

