Há algum tempo eu escrevi aqui que tudo é para sempre, até o dono levar. O que eu não imaginava que o dono levaria algumas coisas tão cedo...
Estava eu saindo de mais uma manhã super empolgante de trabalho quando fui abordada por um mala de bicicleta. Demorei tanto a perceber o que estava acontecendo que depois fiquei me achando uma retardada. É que apesar de saber que estamos sujeitos a isso nesta cidade tão violenta e tantas outras do país e do mundo, sempre achei isso meio improvável.
Quando finalmente percebi o que estava acontecendo já estava com a alça da bolsa quebrada e puxando de um lado e mala do outro. Não sei por quanto tempo ficaríamos assim, mas um segundo de “sanidade” passou pela minha mente e resolvi soltar a bolsa, tive medo de ser realmente agredida.
Não tive reação nenhuma, nem de correr nem de gritar. Também não sei se teria adiantado muito, pois a rua estava completamente deserta, apesar de muito bem iluminada com o sol do meio-dia.
Levaram muitas coisas que eu gostava, apesar de terem pouco valor. Tô evitando pensar nisso, porque realmente gostava das coisas que eles levaram, mas espero que ele tenham ficado com muita raiva ao perceber o mal negócio que fez, afinal, assaltar gente lisa não é bom negócio pra ninguém, nem mesmo para o ladrão mais pé-de-chinelo.
Ai, ai, entrar para as estatísticas não é nada legal, mas paciência né? Agora é dar graças a Deus que nada mais sério aconteceu. Daqui a pouco recupero tudo que levaram, claro que sem o mesmo valor sentimental...
Por enquanto o placar está assim: Assaltantes 1 x 0 Pequenininha :), mas já, já isso vai mudar.
E o dono levou...
É cada vida que aparece nessa coisa
Sempre achei que fosse lenda essa coisa de taxista ficar falando demais, de saber da vida dos passageiros e de fazer do seu veículo um espaço de análise. Já peguei muitos taxis, mas nunca um taxista que falasse sem parar e que começasse a contar a sua vida para um estranho.
Pois bem, eis que estava voltando para casa de um trabalho externo e pego um taxi. O taxista começa a falar sem parar e eu começo a pedir a Deus que ele se cale ou que ligue o som pra não ficar aquele silêncio constrangedor. Não sou muito de conversar com estranhos, mamãe sempre disse pra eu não fazer isso e eu sempre fui uma ninã muito obediente. Torci que só pra criatura fechar o bico, mas não teve jeito. Ele começou a falar da "peste" gay que invade a cidade (não em pergunte como surgiu esse assunto), dos "rapazinhosa sarados" que ele conduz durante a noite para as boates e de quanto ele gostava de mulher. "Ai, Jesus, lá vem", pensei eu. Tentei ligar o off, mas como não consegui, liguei o piloto automático para conversas indesejadas com estranhos super estranhos e fiquei só no "hunrrum", "arram", "é...", "só...".
Alheio ao meu suuuper interesse pela conversa, o senhor continuou (ele já tinha mais de sessenta anos): "Eu sou viúvo, mas tenho duas mulheres. Elas levam meu dinheiro todinho, mas tem nada não, é pra isso que a gente trabalha. É ou não é?" - "É... (O que é que eu tô dizendo mesmo?)".
- "Mulher é bom demais, ainda mais se for uma loura assim bem arrumada, pra gente descer num restaurante e chamar a atenção de todo mundo". Oi? Tipo assim, pra exibir como troféu, né? Se for um troféu estereotipado melhor ainda.
Fingi estar interessada no tempo passando do lado de fora do carro, mas mesmo assim ele continuou: "Mulher tem que ser bonita. Aff, mulher gordona é muito feia. A outra que eu tenho é muito gorda. Coloquei ela na academia, mas ela disse que não queria ir mais porque ficavam dando em cima dela (como assim?) então eu disse pra ela evitar de comer alguma coisa, porque é muito bonito quando uma mulher veste um shortinho curto e fica toda jeitosinha". Pára tudo que eu vou vomitar. Será que faz sentido eu desfiar o meu discurso contra o precnceito aos gordos com uma pessoa como essa? Não, melhor eu continuar a me fingir de muda e retardada mental.
"A gente já chegou? A gente já chegou? A gente já chegou?" Que vontade de dar uma de burro do Shreck ou de passar por cima de todos aqueles carros que tornavam o percurso mais lento. "Será que essa criatura não tem simancol? Melhor, será que essa criatura ainda faz alguma coisa com essas mulheres (não consegui não pensar nisso).
Graças a Deus ele achou outro assunto pra tagarelar na metade do caminho, mas eu continuei no automático e fazendo fica p chegar logo. Quando ele parou o carro quase saí correndo, um pouco passada e achando tudo aquilo muito engraçado, não só pelo fato de realmente conhecer um taxista que fala demais como pelo teor do assunto. Infelizmente, a visão machista e da mulher objeto ainda resistem em algumas pessoas.
Ah, e abaixo o preconceito aos gordos, esse preconceito que existe tanto quanto os outros, mas que a maioria das pessoas prefere não reconhecer, afinal, reconhecer que tem preconceito tá fora de moda, né? O legal é ser uma pessoa super aberta e despida de preconceitos, de preferência se for magérrima, alta e loura.
;)
"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não“. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."
...
Esse post não tem um assunto específico. Apenas senti vontade de escrever, não é exatamente aquela vontade de quem quer escrever com ânsia de dizer alguma coisa, com necessidade de desabafar e desejo de trazer aos leitores algum tipo de reflexão. Tive vontade apenas porque meu blog anda muito abandonado, porque não tenho tido tempo de escrever aqui para contar que o açude Orós finalmente sangrou e que está lindo, apesar de eu ainda não ter podido ir vê-lo, nem para contar que minha primeira sobrinha nascerá daqui a dois dias e eu não poderei estar lá para vê-la, muito menos para contar o motivo da minha falta de tempo.
Todas essas coisas são importantes para mim, ainda que de formas bem diferentes, e eu ainda pretendo escrever com calma sobre elas. Hoje, porém, quero apenas deixar aqui registrado que este blog ainda vive, que eu penso nele, ainda que não esteja escrevendo. Quero me aproximar um pouco mais dele e não deixá-lo “abandonado” como tenho feito com alguns amigos.
Quero começar por ele a me reaproximar de tudo que gosto: dos amigos de infância, dos amigos mais recentes, da família e de tantas outras coisas. Quero exercitar, começando por aqui, o aprender a ter tempo para as coisas que me fazem bem e a fazer hoje aquilo que eu acho que deve ser feito amanhã. Quero tentar diminuir os riscos de o amanhã não chegar nunca. Não quero mais adiar alegrias, deixar para depois os bons encontros, pois o tempo realmente não pára e aquilo que parecia tão perto começa a ser separado por dias, semanas, meses, anos... tanto tempo que até as lembranças começam a ser esquecidas.
Sei que lidar com o tempo não é algo fácil, mas estou disposta a tentar aprender a utilizá-lo da melhor forma possível e a fugir das armadilhas que ele prepara. A primeira lição eu já fiz.
Orós
Banheiros são essenciais
Uma das coisas que mais me incomodavam quando estudava na UFC era usar o banheiro, pois além dos medos comuns que temos ao usar banheiros públicos, o da UFC não possuía uma estrutura das melhores. Não possuía.
Fiquei surpresa ao entrar ontem no novo banheiro da UFC, que passa a quilômetros de distância do antigo. Após uma reforma de vergonha, os atuais alunos e também os visitantes da CH2 agora podem usar o banheiro com um pouco mais de conforto. O banheiro agora possui box especial para deficientes físicos, pias novas, papel higiênico e até sabonete.
Talvez pareça para alguns que estou dando a este fato atenção maior que a merecida, mas, para mim, ele merece sim um texto. Afinal, ter um banheiro novinho em folha na UFC é realmente algo incrível, ainda mais se ele tiver papel higiênico e sabonete, já que quando eu estudava lá (o que não faz muito tempo) se tivéssemos torneira na pia já devíamos nos dar por felizes.
Sei que tem gente que acha bobagem essa história de banheiros e que algumas crenças (se é que posso chamar assim) consideram o banheiro um lugar negativo, mas precisamos admitir que o banheiro é extremamente importante para nossas vidas.
Além de ser um local perfeito para nossas necessidades fisiológicas e higiene pessoal, ele também alivia nossas dores (inclusive de barriga. Ui!). Não sei como funciona isso para os homens, mas o banheiro é um dos grandes amigos da mulher. Quando bem “usado”, o banheiro é melhor que muitos divãs.
O banheiro tem o dom de aproximar as mulheres. Nele fofocamos com as amigas e fazemos novas amizades. Expomos nossos sentimentos, desabafamos e choramos (pode ser olhando no espelho qual o melhor ângulo do seu rosto ou escorregando pela parede, bem cena de novela). Rimos, ensaiamos uma conversa (com o namorado, pretendente, paquera, caso, rolo etc.) e também damos uma ajuda à natureza retocando a maquiagem e arrumando a roupa e o cabelo.
No banheiro descobrimos coisas que jamais descobriríamos em outros locais, bolamos planos mirabolantes (para conquistar um bofe, se vingar de amiga traíra, convencer alguém a aceitar suas idéias etc.) e temos as melhores idéias que já tivemos na vida, não importa se estamos sentadas em um momento “privado”, lavando os cabelos ou passando batom.
Digam o que quiserem, mas o banheiro, os sujos e os limpos, os bonitos e os feios, são essenciais para a vida social das pessoas, pois são neles que surgem as melhores idéias, as grandes reflexões e as boas amizades. Quem nunca teve pelo menos uma dessas três coisas em um banheiro?
