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A Magia do Espelho

A Magia do Espelho

Espaço para devaneios, reflexões, desabafos, dicas culturais e otras cositas más

Banheiros são essenciais

Uma das coisas que mais me incomodavam quando estudava na UFC era usar o banheiro, pois além dos medos comuns que temos ao usar banheiros públicos, o da UFC não possuía uma estrutura das melhores. Não possuía.

Fiquei surpresa ao entrar ontem no novo banheiro da UFC, que passa a quilômetros de distância do antigo. Após uma reforma de vergonha, os atuais alunos e também os visitantes da CH2 agora podem usar o banheiro com um pouco mais de conforto. O banheiro agora possui box especial para deficientes físicos, pias novas, papel higiênico e até sabonete.

Talvez pareça para alguns que estou dando a este fato atenção maior que a merecida, mas, para mim, ele merece sim um texto. Afinal, ter um banheiro novinho em folha na UFC é realmente algo incrível, ainda mais se ele tiver papel higiênico e sabonete, já que quando eu estudava lá (o que não faz muito tempo) se tivéssemos torneira na pia já devíamos nos dar por felizes.

Sei que tem gente que acha bobagem essa história de banheiros e que algumas crenças (se é que posso chamar assim) consideram o banheiro um lugar negativo, mas precisamos admitir que o banheiro é extremamente importante para nossas vidas.

Além de ser um local perfeito para nossas necessidades fisiológicas e higiene pessoal, ele também alivia nossas dores (inclusive de barriga. Ui!). Não sei como funciona isso para os homens, mas o banheiro é um dos grandes amigos da mulher. Quando bem “usado”, o banheiro é melhor que muitos divãs.

O banheiro tem o dom de aproximar as mulheres. Nele fofocamos com as amigas e fazemos novas amizades. Expomos nossos sentimentos, desabafamos e choramos (pode ser olhando no espelho qual o melhor ângulo do seu rosto ou escorregando pela parede, bem cena de novela). Rimos, ensaiamos uma conversa (com o namorado, pretendente, paquera, caso, rolo etc.) e também damos uma ajuda à natureza retocando a maquiagem e arrumando a roupa e o cabelo.

No banheiro descobrimos coisas que jamais descobriríamos em outros locais, bolamos planos mirabolantes (para conquistar um bofe, se vingar de amiga traíra, convencer alguém a aceitar suas idéias etc.) e temos as melhores idéias que já tivemos na vida, não importa se estamos sentadas em um momento “privado”, lavando os cabelos ou passando batom.

Digam o que quiserem, mas o banheiro, os sujos e os limpos, os bonitos e os feios, são essenciais para a vida social das pessoas, pois são neles que surgem as melhores idéias, as grandes reflexões e as boas amizades. Quem nunca teve pelo menos uma dessas três coisas em um banheiro?

Mude


Dizem que fuçar as coisas dos outros é algo muito feio, mas isso não é uma verdade completa e muito menos uma mentira completa. A curiosidade matou o gato? Talvez sim, talvez não. O que sei é que quando olhamos algo que não devemos ou que não fomos convidados para olhar, podemos acabar descobrindo coisas que não gostaríamos de saber nunca, mas também podemos descobrir algo bom que se encaixa perfeitamente com o que estamos procurando, mesmo quando não sabemos o que estamos procurando.


Fuçando por aí, encontrei uma mensagem que despertou minha atenção. Gostei dela pela lição que traz, por enxergar nela ânimo para mim e para os amigos. Amigos que muitas vezes enfrentam situações pelas quais já passei. Vejo-me neles, como se fossem espelhos, quero ajudá-los de alguma forma, mas sei que não posso fazer muito, pois o caminho só existe para nós quando passamos por ele.


Eis a mensagem:


"Mude. Mas comece devagar,porque a direção é mais importante que a velocidade.(...)Mude por uns tempos o estilo das roupas. (...)Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos. (...)Viva outros romances! Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. (...)Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor,o novo jeito,o novo prazer,o novo amor,a nova vida. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. (...) Ame muito, cada vez mais, e modos diferentes. (...)Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. (...)Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. (...)O mais importante é a mudança, o movimento,o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!" Edson Marques

Mudar é preciso! Então, sejamos metamorfoses ambulantes, sejamos lagartas e borboletas, sejamos fênix...

"Após amarguras sentidas, transforma-te. Sê a grega e mitológoca ave, que além de seu eterno retorno das cinzas é capaz de suportar pesadas cargas. Ressurge exuberante e mais sábia, mais serena".




Não se mate

Carlos, sossegue,
o amor é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo e segunda-feira
ninguém sabe o que será.
Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para as bodas que ninguém sabe quando virão, se é que virão.
O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você, e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas, vitrolas,
santos que se persignam, anúncios do melhor sabão, barulho que ninguém sabe
de quê, pra quê.
Entretanto você caminha
melancólico e vertical.Você é a palmeira, você é o grito que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam. O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos, mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá.

Carlos Drummond de Andrade

voar, voar...


O medo maior passou quase tão rápido e intenso quanto os quatro anos que deixei para trás. Sim, deixei para trás quatro anos, mas fui juntando aqui e ali pedacinhos de gente que transformaram a minha vida, verdadeiras amizades, experiências mais do que ricas, recordações que doem no coração ao mesmo tempo em que fazem a boca sorrir.

Olho para trás e vejo como me transformei e como consegui amizades preciosas. Não sou mais uma lagarta, mas uma borboletinha que voa sobre o último degrau de um dos lances das escadas da vida e observa o caminho percorrido.

Sou agora uma borboleta feliz, colorida, livre, mas que também se preocupa e procura se preparar para os novos vôos, pois sabe que na vida não se pode parar de voar.

A dor

Entrou em casa correndo. O rosto vermelho e a respiração ofegante. Abriu a porta do quarto e atirou-se na cama no mesmo instante em que começou a soluçar. Pensou em como aproveitou o dia e em como poderia tê-lo aproveitado. Pensou nos amigos, nas experiências que teve, nos sonhos que conseguiu realizar e naqueles que desejava realizar. Sentiu toda a confusão de sentimentos dentro de si sem identificar bem cada um, sem saber se o que sentia era bom ou ruim, se a levaria para cima ou para baixo. Pensou e sentiu que era apenas uma criança sendo obrigada a crescer. Pensou e sentiu que crescer dói, mas é preciso. Pensou e sentiu que para crescer é preciso chorar, assim como para nascer.

E lá vamos nós...

Hoje é dia 11 de novembro, o que significa que faltam apenas 11 dias para eu depositar a monografia. O único problema é que estou empacada no terceiro capítulo e ainda não fiz nenhuma correçãonos outros dois, até porque estou esperando as correções da minha orientadora.
Há uma semana eu estava bastante confiante, mas agora, que me dei conta do poquíssimo tempo que resta, estou mais nervosa do que nunca, o que dificulta mais ainda a minha vida, pois não sei escrever nada nervosa, nem sob pressão.
Ai, ai... o que fazer? Acho que não me resta muita escolha. Vou espremer meu cérebro até o último neurônio pra ver se consigo terminar isso logo, pois nadar, nadar e morrer na praia é Freud!!!
Desejo sorte para mim, para todos os meus amigos que também estão sofrendo com a monografia e para todos aqueles que ainda vão sofrer com elas (sim, não se iludam, vocês vão sofrer!).

Apolo e Dafne


Dafne foi o primeiro amor de Apolo. Não surgiu por acaso, mas pela malícia de Cupido. Apolo viu o menino brincando com seu arco e suas setas e, estando ele próprio muito envaidecido com sua recente vitória sobre Píton, disse-lhe:


- Que tens a fazer com armas mortíferas, menino insolente? Deixe-as para as mãos de quem delas sejam dignos. Vê a vitória que com elas alcancei, contra a vasta serpente que estendia o corpo venenoso por grande extensão da planície! Contenta-te com tua tocha, criança, e atiça tua chama, como costumas dizer, mas não te atrevas a intrometer-te com minhas armas.


O filho de Vênus ouviu essa palavras e retrucou:


- Tuas setas podem ferir todas as outras coisas, Apolo, mas as minhas podem ferir-te.Assim dizendo, pôs-se de pé numa rocha do Parnaso e tirou da aljava duas setas diferentes, uma feita para atrair o amor; outra, para afastá-lo. A primeira era de ouro e tinha a ponta aguçada, a segunda, de ponta rombuda, era de chumbo. Com a seta de ponta de chumbo, feriu a ninfa Dafne, filha do rio-deus Peneu, e com a de ouro feriu Apolo no coração. Sem demora, o deus foi tomado de amor pela donzela e esta sentiu horror à idéia de amar. Seu prazer consistia nas caminhadas pelos bosques, sem pensar em Cupido nem em Himeneu. Seu pai muitas vezes lhe dizia:


- Filha, deves dar-me um genro, dar-me netos.


Temendo o casamento como a um crime, com as belas faces coradas, ela se abraçou ao pai, implorando:


- Concede esta graça, pai querido! Faze com que eu não me case jamais!


A contragosto, ele consentiu, observando, ao mesmo tempo, porém:


- O teu próprio rosto é contrário a este voto.


Apolo amou-a e lutou para obtê-la; ele, que era o oráculo de todo o mundo, não foi bastante sábio para prever o seu próprio destino. Vendo os cabelos caírem desordenados pelos ombros da ninfa, imaginou:


- Se são tão belos em desordem, como deverão ser quando arranjados?


Viu seus olhos brilharem como estrelas; viu seus lábios, e não se deu por satisfeito só em vê-los. Admirou suas mãos e os braços, nús até os ombros, e tudo que estava escondido da vista imaginou mais belo ainda. Seguiu-a; ela fugiu, mais rápida que o vento, e não se retardou um momento ante suas súplicas:


- Pára, filha de Peneu! - exclamou ele. Não sou um inimigo. Não fujas de mim, como a ovelha foge do lobo, ou a pomba do milhafre. É por amor que te persigo. Sofro de medo que, por minha culpa, caias e te machuques nestas pedras. Não corras tão depressa, peço-te, e correrei também mais devagar. Não sou um homem rude, um campônio boçal. Júpiter é meu pai, sou senhor de Delfos e Tenedos e conheço todas as coisas, presentes e futuras. Sou o deus do canto e da lira. Minhas setas voam certeiras para o alvo. Mas, ah!, uma seta mais fatal que as minhas atravessou-me o coração! Sou o deus da medicina e conheço a virtude de todas as plantas medicinais. Ah! sofro de uma enfermidade que bálsamo algum pode curar!


A ninfa continuou sua fuga, nem ouvindo de todo a súplica do deus. E, mesmo a fugir, ela o encantava. O vento agitava-lhe as vestes e os cabelos desatados lhe caíam pelas costas. O deus sentiu-se impaciente ao ver desprezados os seus rogos e, excitado por Cupido, diminuiu a distância que o separava da jovem. Era como um cão perseguindo uma lebre, com a boca aberta, pronto para apanhá-la, enquanto o débil animal avança, escapando no último momento. Assim voavam o deus e a virgem: ela com as asas do medo; ele com as do amor. O perseguidor é mais rápido, porém, e adianta-se na carreira: sua respiração ofegante, já atinge os cabelos da ninfa. As forças de Dafne começam a fraquejar e, prestes a cair, ela invoca seu pai, o rio-deus:


- Ajuda-me, Peneu! Abre a terra para envolver-me, ou muda minhas formas, que me têm sido fatais!


Mal pronunciara estas palavras, um torpor lhe ganha todos os membros; seu peito começou a revestir-se de uma leve casca; seus cabelos transformaram-se em folhas; seus braços mudam-se em galhos; os pés cravam-se no chão, como raízes; seu rosto tornou-se o cimo do arbusto, nada conservando do que fora, a não ser a beleza.


Apolo abraçou-se aos ramos da árvore e beijou ardentemente a madeira. Os ramos afastaram-se de seus lábios.


- Já que não podes ser minha esposa - exclamou o deus - serás minha planta preferida. Usarei tuas folhas como coroa; com elas enfeitarei minha lira e minha aljava; e quando os grandes conquistadores romanos caminharem para o Capitólio, à frente dos cortejos triunfais, serás usada como coroas para suas frontes. E, tão eternamente jovem quanto eu próprio, também hás de ser sempre verde e tuas folhas não envelhecerão.


Foi assim que o loureiro ficou associado ao belo e luminoso deus, símbolo do seu amor pela ninfa Dafne.

Vale a pena ler de novo

  • A lição final
  • A sangue frio
  • Crônicas de Nárnia
  • George e o segredo do Universo
  • O caçador de pipas
  • O Pequeno Príncipe

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