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A Magia do Espelho

A Magia do Espelho

Espaço para devaneios, reflexões, desabafos, dicas culturais e otras cositas más

É cada vida que aparece nessa coisa

Sempre achei que fosse lenda essa coisa de taxista ficar falando demais, de saber da vida dos passageiros e de fazer do seu veículo um espaço de análise. Já peguei muitos taxis, mas nunca um taxista que falasse sem parar e que começasse a contar a sua vida para um estranho.

Pois bem, eis que estava voltando para casa de um trabalho externo e pego um taxi. O taxista começa a falar sem parar e eu começo a pedir a Deus que ele se cale ou que ligue o som pra não ficar aquele silêncio constrangedor. Não sou muito de conversar com estranhos, mamãe sempre disse pra eu não fazer isso e eu sempre fui uma ninã muito obediente. Torci que só pra criatura fechar o bico, mas não teve jeito. Ele começou a falar da "peste" gay que invade a cidade (não em pergunte como surgiu esse assunto), dos "rapazinhosa sarados" que ele conduz durante a noite para as boates e de quanto ele gostava de mulher. "Ai, Jesus, lá vem", pensei eu. Tentei ligar o off, mas como não consegui, liguei o piloto automático para conversas indesejadas com estranhos super estranhos e fiquei só no "hunrrum", "arram", "é...", "só...".

Alheio ao meu suuuper interesse pela conversa, o senhor continuou (ele já tinha mais de sessenta anos): "Eu sou viúvo, mas tenho duas mulheres. Elas levam meu dinheiro todinho, mas tem nada não, é pra isso que a gente trabalha. É ou não é?" - "É... (O que é que eu tô dizendo mesmo?)".
- "Mulher é bom demais, ainda mais se for uma loura assim bem arrumada, pra gente descer num restaurante e chamar a atenção de todo mundo". Oi? Tipo assim, pra exibir como troféu, né? Se for um troféu estereotipado melhor ainda.

Fingi estar interessada no tempo passando do lado de fora do carro, mas mesmo assim ele continuou: "Mulher tem que ser bonita. Aff, mulher gordona é muito feia. A outra que eu tenho é muito gorda. Coloquei ela na academia, mas ela disse que não queria ir mais porque ficavam dando em cima dela (como assim?) então eu disse pra ela evitar de comer alguma coisa, porque é muito bonito quando uma mulher veste um shortinho curto e fica toda jeitosinha". Pára tudo que eu vou vomitar. Será que faz sentido eu desfiar o meu discurso contra o precnceito aos gordos com uma pessoa como essa? Não, melhor eu continuar a me fingir de muda e retardada mental.

"A gente já chegou? A gente já chegou? A gente já chegou?" Que vontade de dar uma de burro do Shreck ou de passar por cima de todos aqueles carros que tornavam o percurso mais lento. "Será que essa criatura não tem simancol? Melhor, será que essa criatura ainda faz alguma coisa com essas mulheres (não consegui não pensar nisso).

Graças a Deus ele achou outro assunto pra tagarelar na metade do caminho, mas eu continuei no automático e fazendo fica p chegar logo. Quando ele parou o carro quase saí correndo, um pouco passada e achando tudo aquilo muito engraçado, não só pelo fato de realmente conhecer um taxista que fala demais como pelo teor do assunto. Infelizmente, a visão machista e da mulher objeto ainda resistem em algumas pessoas.

Ah, e abaixo o preconceito aos gordos, esse preconceito que existe tanto quanto os outros, mas que a maioria das pessoas prefere não reconhecer, afinal, reconhecer que tem preconceito tá fora de moda, né? O legal é ser uma pessoa super aberta e despida de preconceitos, de preferência se for magérrima, alta e loura.

;)

"Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo. E que posso evitar que ela vá à falência. Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver, apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não“. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta. Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Frase do dia...

"Tudo é para sempre... até o dono levar"

...

Esse post não tem um assunto específico. Apenas senti vontade de escrever, não é exatamente aquela vontade de quem quer escrever com ânsia de dizer alguma coisa, com necessidade de desabafar e desejo de trazer aos leitores algum tipo de reflexão. Tive vontade apenas porque meu blog anda muito abandonado, porque não tenho tido tempo de escrever aqui para contar que o açude Orós finalmente sangrou e que está lindo, apesar de eu ainda não ter podido ir vê-lo, nem para contar que minha primeira sobrinha nascerá daqui a dois dias e eu não poderei estar lá para vê-la, muito menos para contar o motivo da minha falta de tempo.

Todas essas coisas são importantes para mim, ainda que de formas bem diferentes, e eu ainda pretendo escrever com calma sobre elas. Hoje, porém, quero apenas deixar aqui registrado que este blog ainda vive, que eu penso nele, ainda que não esteja escrevendo. Quero me aproximar um pouco mais dele e não deixá-lo “abandonado” como tenho feito com alguns amigos.

Quero começar por ele a me reaproximar de tudo que gosto: dos amigos de infância, dos amigos mais recentes, da família e de tantas outras coisas. Quero exercitar, começando por aqui, o aprender a ter tempo para as coisas que me fazem bem e a fazer hoje aquilo que eu acho que deve ser feito amanhã. Quero tentar diminuir os riscos de o amanhã não chegar nunca. Não quero mais adiar alegrias, deixar para depois os bons encontros, pois o tempo realmente não pára e aquilo que parecia tão perto começa a ser separado por dias, semanas, meses, anos... tanto tempo que até as lembranças começam a ser esquecidas.

Sei que lidar com o tempo não é algo fácil, mas estou disposta a tentar aprender a utilizá-lo da melhor forma possível e a fugir das armadilhas que ele prepara. A primeira lição eu já fiz.

Orós


Li no jornal que o açude da minha cidade está prestes a transbordar. Essa notícia deixa a mim e todos os meus conterrãneos extremamente feliz, pois ver o Açude Orós sangrando é um espetáculo de rara beleza e que não acontece todos os dias. Expressei minha alegria para uma amiga e ela se mostrou espantada com isso.


-O que tem de demais?


A indagação dela me pareceu bastante estranha, quase como perguntar o que tem de demais em uma tsunami acontecer (estou exagerando um pouco, é verdade). Ora, mas como esperar que alguém que não more, tenha morado ou mesmo conheça Orós entenda e sinta o que é ver o açude transbordar? Depois de digerir a indagação, de tentar explicar o que tem demais em um açude transbordar, percebi que somente que já viu tal espetáculo da natureza ou quem tem alguma ligação com Orós é capaz de entender o que é ver o Açude Orós sangrar.


Somente quem viveu a infância inteira ouvindo histórias fantásticas dos períodos de cheia do açude sabe o que é isso. Histórias que, para mim, até 2004 eram quase folclore. Somente quem viu o açude sangrar e julgava que isso jamais voltaria a acontecer sabe o que significa vêlo novamente cheio. Somente quem recordava com um brilho saudoso nos olhos e um tom de voz melancólico as cheias do açude sabe o que é vê-lo novamente transbordar.


Em 2004, após longos anos, o Açude Orós volta a transbordar. Uma enorme alegria para os oroenses, que se apóiam na importância do açude, seja para sobreviverem através da agricultura, seja para esquecerem que Orós é uma cidade tão pequena que talvez fosse completamente esquecida sem a existência do reservatório.


Este ano vivemos novamente a esperança de vê-lo sangrar. Faltam apenas dois metros para que isso aconteça. Mas somente quem procura se informar todos os dias de quanto falta para ele sangrar ou visita a parede do açude para verificar se falta muito consegue compreender a graça do feito.

Banheiros são essenciais

Uma das coisas que mais me incomodavam quando estudava na UFC era usar o banheiro, pois além dos medos comuns que temos ao usar banheiros públicos, o da UFC não possuía uma estrutura das melhores. Não possuía.

Fiquei surpresa ao entrar ontem no novo banheiro da UFC, que passa a quilômetros de distância do antigo. Após uma reforma de vergonha, os atuais alunos e também os visitantes da CH2 agora podem usar o banheiro com um pouco mais de conforto. O banheiro agora possui box especial para deficientes físicos, pias novas, papel higiênico e até sabonete.

Talvez pareça para alguns que estou dando a este fato atenção maior que a merecida, mas, para mim, ele merece sim um texto. Afinal, ter um banheiro novinho em folha na UFC é realmente algo incrível, ainda mais se ele tiver papel higiênico e sabonete, já que quando eu estudava lá (o que não faz muito tempo) se tivéssemos torneira na pia já devíamos nos dar por felizes.

Sei que tem gente que acha bobagem essa história de banheiros e que algumas crenças (se é que posso chamar assim) consideram o banheiro um lugar negativo, mas precisamos admitir que o banheiro é extremamente importante para nossas vidas.

Além de ser um local perfeito para nossas necessidades fisiológicas e higiene pessoal, ele também alivia nossas dores (inclusive de barriga. Ui!). Não sei como funciona isso para os homens, mas o banheiro é um dos grandes amigos da mulher. Quando bem “usado”, o banheiro é melhor que muitos divãs.

O banheiro tem o dom de aproximar as mulheres. Nele fofocamos com as amigas e fazemos novas amizades. Expomos nossos sentimentos, desabafamos e choramos (pode ser olhando no espelho qual o melhor ângulo do seu rosto ou escorregando pela parede, bem cena de novela). Rimos, ensaiamos uma conversa (com o namorado, pretendente, paquera, caso, rolo etc.) e também damos uma ajuda à natureza retocando a maquiagem e arrumando a roupa e o cabelo.

No banheiro descobrimos coisas que jamais descobriríamos em outros locais, bolamos planos mirabolantes (para conquistar um bofe, se vingar de amiga traíra, convencer alguém a aceitar suas idéias etc.) e temos as melhores idéias que já tivemos na vida, não importa se estamos sentadas em um momento “privado”, lavando os cabelos ou passando batom.

Digam o que quiserem, mas o banheiro, os sujos e os limpos, os bonitos e os feios, são essenciais para a vida social das pessoas, pois são neles que surgem as melhores idéias, as grandes reflexões e as boas amizades. Quem nunca teve pelo menos uma dessas três coisas em um banheiro?

Mude


Dizem que fuçar as coisas dos outros é algo muito feio, mas isso não é uma verdade completa e muito menos uma mentira completa. A curiosidade matou o gato? Talvez sim, talvez não. O que sei é que quando olhamos algo que não devemos ou que não fomos convidados para olhar, podemos acabar descobrindo coisas que não gostaríamos de saber nunca, mas também podemos descobrir algo bom que se encaixa perfeitamente com o que estamos procurando, mesmo quando não sabemos o que estamos procurando.


Fuçando por aí, encontrei uma mensagem que despertou minha atenção. Gostei dela pela lição que traz, por enxergar nela ânimo para mim e para os amigos. Amigos que muitas vezes enfrentam situações pelas quais já passei. Vejo-me neles, como se fossem espelhos, quero ajudá-los de alguma forma, mas sei que não posso fazer muito, pois o caminho só existe para nós quando passamos por ele.


Eis a mensagem:


"Mude. Mas comece devagar,porque a direção é mais importante que a velocidade.(...)Mude por uns tempos o estilo das roupas. (...)Procure andar descalço alguns dias. Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos. (...)Viva outros romances! Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. (...)Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor,o novo jeito,o novo prazer,o novo amor,a nova vida. Busque novos amigos. Tente novos amores. Faça novas relações. (...) Ame muito, cada vez mais, e modos diferentes. (...)Mude. Lembre-se de que a Vida é uma só. (...)Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa, longa, se possível sem destino. (...)O mais importante é a mudança, o movimento,o dinamismo, a energia. Só o que está morto não muda!" Edson Marques

Mudar é preciso! Então, sejamos metamorfoses ambulantes, sejamos lagartas e borboletas, sejamos fênix...

"Após amarguras sentidas, transforma-te. Sê a grega e mitológoca ave, que além de seu eterno retorno das cinzas é capaz de suportar pesadas cargas. Ressurge exuberante e mais sábia, mais serena".




Vale a pena ler de novo

  • A lição final
  • A sangue frio
  • Crônicas de Nárnia
  • George e o segredo do Universo
  • O caçador de pipas
  • O Pequeno Príncipe

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