voar, voar...
A dor
Entrou em casa correndo. O rosto vermelho e a respiração ofegante. Abriu a porta do quarto e atirou-se na cama no mesmo instante em que começou a soluçar. Pensou em como aproveitou o dia e em como poderia tê-lo aproveitado. Pensou nos amigos, nas experiências que teve, nos sonhos que conseguiu realizar e naqueles que desejava realizar. Sentiu toda a confusão de sentimentos dentro de si sem identificar bem cada um, sem saber se o que sentia era bom ou ruim, se a levaria para cima ou para baixo. Pensou e sentiu que era apenas uma criança sendo obrigada a crescer. Pensou e sentiu que crescer dói, mas é preciso. Pensou e sentiu que para crescer é preciso chorar, assim como para nascer.
E lá vamos nós...
Hoje é dia 11 de novembro, o que significa que faltam apenas 11 dias para eu depositar a monografia. O único problema é que estou empacada no terceiro capítulo e ainda não fiz nenhuma correçãonos outros dois, até porque estou esperando as correções da minha orientadora.
Há uma semana eu estava bastante confiante, mas agora, que me dei conta do poquíssimo tempo que resta, estou mais nervosa do que nunca, o que dificulta mais ainda a minha vida, pois não sei escrever nada nervosa, nem sob pressão.
Ai, ai... o que fazer? Acho que não me resta muita escolha. Vou espremer meu cérebro até o último neurônio pra ver se consigo terminar isso logo, pois nadar, nadar e morrer na praia é Freud!!!
Desejo sorte para mim, para todos os meus amigos que também estão sofrendo com a monografia e para todos aqueles que ainda vão sofrer com elas (sim, não se iludam, vocês vão sofrer!).
Apolo e Dafne
Sai dakiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii
Surpresaaaaaaaaa!!!!!!!
Palavras, palavras...
Dias cinzas são chatos e feios como a cor cinza. Um dia cinza pode ser um dia monótono, enfadonho; pode ser um dia frio, nublado, que apesar de cinza pode se revelar legal no final; e também pode ser um dia em que nada parece dar certo. Este último é o que estou vivendo e sei que às vezes sou exagerada nos meus “dramas”, principalmente se considerarmos o número de pessoas que realmente têm motivos para sofrer; que não têm dias cinza de vez em quando, por que a própria vida delas é cinza.
Mas nem sempre é fácil lembrar disso quando estamos no meio de uma tempestade. Há quase dois meses estou estagiando como produtora de um programa de rádio e esse tempo, aparentemente curto, já foi o suficiente para descobrir que vida de produtor não é fácil; que tem muita gente que quer aparecer na mídia, mas que não tem compromisso nenhum; que tem muita gente chata que quer porque quer aparecer, sem ter nada de importante para dizer; que tem muita gente que não tem um pingo de consideração pelo seu trabalho nem de respeito pelos outros; e que trabalhar com programas ao vivo é realmente uma caixinha de surpresas. E isso foi umas das melhores coisas que descobri.
Tenho aprendido muito nesses meses trabalhando com produção. Tenho aprendido demais sobre a profissão que escolhi, mas também tenho aprendido bastante sobre as pessoas, sobre o “ser” humano.
“Um dia o programa é maravilhoso, outro dia é uma merda. É assim”. Guardei bem essa frase dita por um grande profissional e apresentador do programa. A gente vibra quando o programa dá mais do que certo, mas sempre fica um gosto amargo quando algo não sai como o planejado.
Afinal, produzir é também um jogo de palavras, é dar a sua palavra. E como nos dias de hoje dar a tal “palavra” não é muito valorizado pelas pessoas, pois já se tornou algo tão comum não cumprir com a palavra, a produção está sempre nas mãos dos convidados, acreditando que eles vão cumprir com o combinado, que vão honrar sua palavra.
No entanto, como já disse, para muitos, palavras são apenas palavras e descumprir com algo acertado verbalmente não significa nada demais. Para mim, em muitos casos palavras realmente são só palavras, mas a palavra, quando usada para firmar um compromisso, um acordo, essa deve ser valorizada e cumprida.
Hoje o programa não foi ao ar. Foi cancelado, pois acreditamos na palavra e no compromisso de um convidado que acabou não vindo, não dando nenhuma satisfação, nem atendendo aos nossos telefonemas. Hoje, não podemos nem dizer que o programa foi uma merda, pois não houve programa.
Apesar de saber que a produção fez tudo o que podia ser feito para que o programa fosse ao ar, ficou um gosto ruim, algo como o gosto de fracasso, que é uma mistura de amargo e azedo e demora a passar.
Mas amanhã é outro dia, e sempre pode haver um lindo arco-íris com um pote de ouro no final se escondendo atrás das nuvens cinza e da chuva grossa. Amanhã, e depois de amanhã, e por muito tempo, eu vou lembrar de hoje e não vou esquecer o quanto se pode aprender e crescer quando as coisas dão errado.
