Oi, Oi, Oi :)
Meu cantinho anda meio abandonado, mas eu não o esqueço.
Algumas coisas aconteceram muito rapidamente nas últimas semanas, mostrando mais uma vez que tudo acontece na hora certa, no tempo de Deus. Eu acredito nisso.
Consegui finalmente mudar algo que estava me fazendo infeliz. Embora ainda não seja o que eu realmente quero, sei que vou conseguir tudo que desejo, se Deus quiser.
Estou mais feliz, estou aprendendo, crescendo e isso é muito bom. Me sinto mais viva e em evolução.
Tive medo da escolha que fiz, pois toda mudança, ainda que seja boa, traz consigo um pouco de medo. Mas, além do medo, toda escolha traz crescimento. Não podemos deixar que o medo nos impeça de crescer, de provar coisas novas, de arriscar. Crescer é fazer escolhas.
Sabedoria oriental
- Mestre, como faço para me tornar um sábio?
- Boas escolhas.
- Mas como fazer boas escolhas?
- Experiência - diz o mestre.
- E como adquirir experiência, mestre?
- Más escolhas.
Uma escola base não basta
Não gosto de me manifestar muito sobre esses casos de crimes polêmicos cobertos excessivamente pela mídia, pois qualquer opinião é muito delicada e pode ser taxativa demais e causar ainda mais polêmica.
Acontece que minha indignação chegou a um ponto tal com relação à cobertura que a imprensa fez e está fazendo do caso Eloá que resolvi desabafar aqui para ver se me sentia um pouco melhor.
São tantos erros e absurdos que eu nem sei por qual começar. Acho que posso começar dizendo que, como jornalista, me sinto completamente envergonha pela imprensa brasileira que voa como urubus famintos em cima de cadáveres inocentes e tem como única preocupação matar a fome insaciável de audiência. A mídia parece esquecer que seres humanos estão enfrentando essas situações tão tristes, que existem famílias abaladas e sofrendo e que a imprensa não é juiz e, por tanto, não deve emitir nenhum julgamento e muito menos fazer com que inúmeras pessoas acreditem nesse julgamento.
Se ligarmos a TV hoje, vamos assistir a um show de acusação contra a polícia e programas inteiros dedicados a provar que a polícia errou no caso Eloá. Se a polícia errou ou acertou não sou eu quem vai dizer isso, o que posso dizer é que tenho certeza que ela fez tudo que podia para tentar evitar esse fim trágico que resultou na morte de uma jovem de 15 anos. Acho que a ação deve ser investigada e que se a polícia agiu de forma errada ela sofra uma punição por isso. Também acho importante que os “erros” cometidos pela polícia sejam divulgados para que cada um de nós possa cobrar do governo treinamento adequado para os policiais. No entanto, é preciso não esquecer que a polícia é formada por seres humanos que, como qualquer outro ser humano, são passíveis de erros.
Quero deixar claro que este artigo não é para defender a polícia, mas para refletir sobre a cobertura da imprensa brasileira neste caso e sobre as acusações que a mídia está fazendo à polícia. Seria ótimo se tudo isso fosse motivado pela intenção real de fazer o Governo e as pessoas refletirem sobre a qualidade da polícia brasileira. No entanto, na maioria dos casos o que a imprensa quer é conseguir audiência através do sensacionalismo.
Seria maravilhoso se a imprensa brasileira agisse dessa forma com o seu próprio trabalho. Se passasse semanas dedicando a programação inteira para discutir os erros da imprensa, as vidas que ela arruinou por conta de matérias mal apuradas e julgamentos errados. Mas não, pois os jornalistas são os intocáveis, nunca erram, NUNCA MESMO! Se por acaso admitem o erro, fazem questão de escondê-lo até a morte, afinal, não é interessante para eles divulgarem os próprios erros, pois as pessoas precisam acreditar que eles são confiáveis, que não erram nunca e que sabem de tudo.
Não vi nenhum programa discutindo, por exemplo, a atitude da apresentadora Sônia Abrão, que não só deu espaço para o seqüestrador e assassino Lindemberg, melhor dizendo, “querido”, falar na televisão, como também negociou o fim do seqüestro com ele. A atitude dessa jornalista e da produção do programa “A tarde é sua” só deu mais confiança ao Lindemberg, afinal, a preocupação dos repórteres era com ele, não com as vítimas. Assim, ele passou a se sentir um astro acima do bem e do mal.
Sim, a apresentadora Sônia Abrão se julga muito mais preparada para negociar o fim de um seqüestro do que os policiais do de Ações Táticas Especiais (Gate), que estavam cuidando do caso e que devem ter recebido um treinamento especial para lidar com esses casos.
Em nenhum momento eu vi algum programa de televisão o questionamento sobre a atitude da mídia nesse caso. Ninguém fala sobre isso. Ninguém questiona se é certo dar espaço para bandido na televisão, se é certo querer fazer o trabalho da polícia, se é certo invadir a privacidade da família, se é certo julgar a polícia, se é certo ficar fazendo matérias e mais matérias com o único intuito de mostrar que a polícia errou e, com isso, alavancar a audiência.
É triste, muito triste, ver que jornalistas como a Sônia Abrão se acham tão superiores e intocáveis a ponto de se envolverem em casos como esses e se acharem capazes de fazer o trabalho da polícia. No mínimo, ela deve achar que esse tipo de trabalho pode ser feito por qualquer pessoa e que ela certamente o faria melhor do que a polícia. Mas negociar com seqüestrador não é para qualquer pessoa, não é conversa de comadre nem conselho de tia velha e pretensiosa.
A imprensa faz questão de manter silêncio sobre isso, de esconder os seus erros, de colocar o lixo embaixo do tapete e de enganar a população. Sim, é isso que muitos dos que se dizem jornalista fazem: enganam a população. Acham que liberdade de imprensa é você sair por aí falando o que bem entende sobre quem quiser. Onde está a responsabilidade sobre as informações? Onde está o respeito aos seres humanos? Onde está a ética? Infelizmente, muitos jornalistas esqueceram para sempre de tudo isso.
O que se vê hoje na TV, na internet e nos jornais impressos é uma enxurrada de matérias querendo a todo custo mostrar que a polícia errou do começo ao fim do caso e que ainda agrediu fisicamente o assassino Lindemberg. Entrevistam peritos e fazem de treinadores da Swat verdadeiros heróis com o único objetivo de mostrar que a polícia errou.
A fome insaciável pela audiência faz com quem os jornalistas-urubus não respeitem a dor e o luto alheio e invadam a privacidade de uma família que já está sofrendo bastante com a morte da filha e que não precisa de acusações contra o pai. Que fique claro que não estou defendendo ninguém, acho que cada um deve pagar pelos crimes que cometeu, mas não é papel da imprensa fazer julgamentos nem acusações e é lamentável que, além de fazer tudo isso, ainda não tenha respeito nenhum pela dor de uma família e queiram lucrar em cima do sofrimento alheio.
Gostaria muito que a imprensa usasse todo esse empenho para discutir o seu papel na sociedade e a ética jornalística. Dói bastante ver que uma Escola Base só não basta, que a vida de muitas pessoas ainda vão ser arruinadas até o dia (ainda tenho esperanças) em que a imprensa brasileira seja realmente responsável, comprometida com a verdade, com a imparcialidade e com a população.
O caminho para o jornalismo ideal é árduo, mas chegar lá não é impossível. Pra tanto, é extremamente importante que cada um de nós, jornalistas e consumidores de notícias, exercite a criticidade e cobre da imprensa brasileira ética, respeito, imparcialidade e compromisso com a verdade. Precisamos fazer a nossa parte e incentivar todos os nossos conhecidos a fazerem a parte deles também, não podemos nos deixar cegar com o que a mídia quer que acreditemos sem questionarmos. Que o sofrimento causado pela mídia a pessoas inocentes em casos como a Escola Base, Eloá Cristina e tantos outros não seja em vão.
Saudades da infância
Saudade de implicar com os meninos, de ver as novelas e imitar os personagens, de assistir Carrossel na casa de amigos, pois na época o SBT só pegava com antena parabólica e eram poucas as famílias que possuíam o aparelho. Uma realidade bem distante dos tetos coalhados com grandes antenas redondas, até mesmo nas casas mais humildes, sinalizando que, felizmente, a diferença social diminuiu, assim como as distâncias.
Sinto saudade da felicidade simples que outrora foi causadora de tristeza. Às vezes a infância tem disso, possuímos tudo que precisamos para ser feliz, mas ainda não temos maturidade suficiente para perceber e aproveitar tudo.
Basta que eu feche os olhos para sentir de novo o cheiro do mato molhado, do curral fértil e do leite fresquinho. Lembro como se fosse ontem as brincadeiras com crianças que eu via duas vezes por ano, mas que pareciam amigas íntimas, lembro a curiosidade e o carinho pelos animais, o medo do escuro, o chamego com os pais.
A infância também tem gostos marcantes: Nescau com leite puro de vaca, nada de leite em pó ou de caixa, xilito, suco de morango, maria maluca, sequilho, tareco, picolé de creme de ovos que podia ter direito a repeteco. Tudo que uma criança gosta, mas que aidna não sabe valorizar.
Sinto saudade de esperar o Papai Noel chegar e de como descobri com alegria, não com tristeza, que eram meus pais que colocavam os presentes embaixo da cama. Sinto saudade de brincar com as bonecas tão desejadas, de projetar nelas a vida que gostaríamos de ter e de sonhar com o nosso futuro. Crianças são tão cheias de sonhos e isso é tão bom...
Sinto saudade de tudo, agradeço a Deus por tudo: pela família maravilhosa que me deu e por todas as outras coisas. Mas lamento ter compreendido alguns sentimentos tão tarde. Tarde para aproveitar melhor experiências, momentos e oportunidades, mas ainda cedo, muito cedo para aproveitar tudo o mais que a vida tem para me dar. E eu quero aproveitar tudo!
...
Cultive seus sonhos. Se não tem nenhum, invente. Mas não perca a capacidade de sonhar, pois os sonhos são os motorzinhos da vida, nos fazem acordar todos os dias com um friozinho na barriga, na esperança de que algo de bom aconteça, de encontrar a felicidade diária e de fazer cada segundo valer a pena.
Segure bem os seus sonhos, lute para realizá-los e invente novos sonhos. Coisa mais triste é viver sem sonhos, sem unzinho sequer. Uma pessoa sem sonhos é como uma folha seca que cai morta da árvore e fica à mercê do vento. Sem vontade própria, sem esperanças, sem alegria, sem vida. Viver sem sonhos e apenas passar o tempo enquanto a morte não vem. Pode parecer fácil, mas poucos sabem viver e sonhar. Poucos.
Campanha contra o preconceito - faça a sua parte
Acho ótimo a cara lisa do povo de dizer que não tem preconceito com nada, de ficar repetindo frases como: "eu até tenho um amigo gay" (daqui a pouco vai ser: "eu até tenho um amigo hetero"), "não sou racista, não acho que todo preto é marginal", "os gordos não sofrem preconceito", "viva à diferença". Como já disse aqui uma vez, ser preconceituoso está fora de moda.
Oi? Vai um óleo de peroba aí? A gente sabe (pelo menos eu sei) que esse discurso de "não sou preconceituoso" muitas vezes é apenas isso mesmo: um discurso. Já faz parte do nosso cotidiano ouvir campanhar que combatem o preconceito contra negros, deficientes físicos e homossexuais, mas ainda existem muitos preconceitos que as pessoas insistem em dizer que não existe, como o preconceito aos gordos, não precisam nem ser obesos mórbidos. Eis que hoje me deparo com a seguinte notícia no jornal:
GUARDA MUNICIPAL
Prefeitura reintegrará candidata gorda
Uma candidata que havia sido desclassificada por excesso de gordura num concurso para integrar a Guarda Municipal de Várzea Paulista (54 km de São Paulo) terá de ser reintegrada ao processo seletivo por decisão da Justiça. A prefeitura afirma que não irá recorrer. A alegação da defensora pública Thais dos Santos Lima foi a de que não há previsão legal que regulamente o percentual máximo de gordura corporal.
E ainda dizem que não existe preconceito contra os gordos. Gente, acho que todo mundo sabe, porque algumas vezes nós mesmos somos preconceituosos, apesar de ser difícil admitir, que os gordos sofrem sim preconceito. É um olhar com um riso na boca, é um comentário maldoso, um cochicho, uma piada sem graça.
O engraçado e também triste é que as pessoas têm dificuldade em aceitar que esse preconceito existe, é o que eu tenho percebido sempre que discuto esse assunto com alguém. Geralmente, escuto o seguinte: "Isso não existe, é besteira. A capacidade e a beleza das pessoas está além do exterior. Não sei por que você se preocupa com isso, até parece que você é obesa".
Oi? Será mesmo que a gente acredita que a beleza e a capacidade das pessoas está no interior e não na aparência? E outra, por acaso nós temos que ser vítimas diretas de preconceito para lutar contra ele? Quer dizer que eu preciso ser negra, gay e deficiente física para lutar contra o preconceito aos negros, gays e deficientes? Fala sério meeeessssmoooooo!!!!!!!
Gente, vamos parar de fechar os olhos para os preconceitos que nos rodeiam, vamos enxergar os nossos próprios preconceitos e combatê-los. Vamos crescer como seres humanos. Preconceito não é, nunca foi e nunca será uma coisa boa, acho que todo mundo sabe. Não é necessário fazer uma passeata ou um movimento para lutar contra o preconceito, a solução está nas pequenas atitudes, está em aprender a tratar as pessoas pelo que elas realmente são, o que está muito além do corpo, da cor, da aparência e dos bens materiais. Vamos refletir e crescer.
Dia de cão
Segundo informações da polícia, as jovens foram liberadas, algumas horas depois, com a chegada dos responsáveis, que assumiram o compromisso de levá-las posteriormente à Vara da Infância e da Juventude da cidade. O animal voltou para casa.

